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Grandes "Estórias"
Transferência de Secretário para o Real Madrid

Sexta-feira, Maio 11, 2007

Iniciava-se a época de 1996/97 e os jornais anunciavam a transferência do ano: Carlos Secretário, defesa direito do Porto e da Selecção Nacional, assina um contrato com o Real Madrid. De imediato, e dissipando quaisquer dúvidas que até então remanescessem, Pinto da Costa é elevado à categoria de génio do comércio. Um autêntico Alves dos Reis da década de noventa. Na apresentação do plantel dos merengues para essa temporada, o speaker de serviço superou-se. "El defensor que todos buscavan y solo Real lo consegió, Carlos Secretáááário". Apesar da surpresa da afficción merengue, Secretário era jogador do Real. Nascido em 1970, na bela S. João da Madeira, Carlos Alberto Oliveira Secretário, sempre com aquela cara de "não sei o que é que se está a passar" debutou na época de 1990/1991 na Primeira Divisão, com as cores do Penafiel. Um pulinho no Famalicão, outro no Braga até completar a asa direita do Porto com João Pinto. A retirada do capitão dos dragões abre lugar ao jovem Carlos que, pé ante pé se consegue impor até na selecção de todos nós.

E é precisamente no final da época de 96 que se dá o grande engano por parte dos dirigentes do Real. Não será difícil imaginar as gargalhadas de Pinto da Costa a ecoarem na Torre das Antas quando, via fax, vê uma proposta vinda de Madrid. Como arguto negociador, o presidente azul e branco conseguiu subir a parada até 300.000 contos. A imprensa de Espanha estava incrédula. Mas quem seria este português? Informações como estas são as únicas que ainda restam acessíveis, em sites obscuros de fãs da Liga Espanhola. "Jogador de 26 anos e internacional A pela selecção Portuguesa. Proveniente do Porto, actua preferencialmente pela ala direita, tanto na defesa como no meio campo. A sua contratação foi indicada por Capello, depois do seu grande rendimento no Euro 96. Para além disso, a cegada do jogador funciona igualmente como uma alfinetada no Barcelona, já que era um dos grandes objectivos de Bobby Robson para este ano".

De notar dois factos nesta descrição: o primeiro, considerarem Secretário um internacional A, estatuto que só viria a adquirir realmente depois da “assistência” para o Acosta, que o catapultou para aqueles “sketches” (e para o estrelato, pois está claro) de cenas ridículas de desporto que passam na tv a 31 de Dezembro; o segundo, esta contratação ter sido um modo de o Real Madrid "picar" o seu arqui-rival Barcelona, tal como o Benfica, ferido no orgulho com as idas de Pacheco e Paulo Sousa para Alvalade, ter "picado" o Sporting com a contratação de grandes nomes do futebol luso como Amaral, Marinho e o irrequieto Porfírio, que marcam a historiografia recente do clube da Luz. Independentemente de tudo o que se diga agora, certo é que a entrada de Carlos Secretário no clube merengue se deu pela porta grande, 27 jogos na primeira época e 12 na segunda foram mais que suficientes para Capello se aperceber da asneirada e resgatar o seu protegido Panucci para fazer as vezes do nosso Carlos Alberto. Caricata foi a cena em que se viu envolvido durante um jogo, quando um canídeo entrou em pleno relvado do Bernabéu, Secretário perseguiu o dito bicho até à sua (dele) exaustão, enquanto o jogo continuava indiferente à estóica acção do nosso lateral (acabou coroado com uma monumental vaia dos adeptos).

Com as devidas adaptações, a passagem de Secretário pelo Real faz lembrar a tirada de Quinito quando treinou o Porto depois da final de Viena em 87; virado para o seu próprio plantel, " Eu não sei se os hei-de treinar ou se lhes hei-de pedir autógrafos". Semelhante discurso deve ter passado pela cabeça do lateral direito quando encontrou, no mesmo balneário, nomes como Hierro, Sanchis, Roberto Carlos, Redondo, Raul, Suker, Mijatovic e muitos outros. “Não sei se treine com eles ou lhes peça autógrafos”.

O fim da carreira madrilena do Tuercebotas, alcunha pela qual ficou conhecido em Espanha o bom do Secretário (nem me dou ao trabalho de traduzir, cada um tire as conclusões que entender) chegou em Dezembro de 1997, um ano e meio depois da estreia, 39 jogos de camisola blanca ao peito. Carlos Alberto regressa ao seu Porto. Estava escrito um dos momentos mais épicos da emigração portuguesa, depois de Linda de Suza.

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Escrito por Bruno 16:09

1 Comentário(s):

Anonymous Anónimo disse...

O Quinito, depois da final de Viena!? Fala do que sabes!

12:08 AM  

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