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História dos Mundiais
Suécia 1958

Quinta-feira, Junho 08, 2006

E o Mundo finalmente em tons de amarelo e azul
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Vicente Ítalo Feola consagrou-se como treinador do São Paulo. Revolucionou o futebol em 4-4-2. Foi ele o criador do sistema que desbaratou todos os adversários na Suécia. Na sombra, outro herói do primeiro título Mundial canarinho. Paulo Machado de Carvalho, o chefe da missão brasileira, que juntou à comitiva um psicólogo e um dentista. Uma história curiosa. Antes da final, “obrigou” os proprietários do hotel onde o Brasil estava hospedado a despedir uma funcionária, deslumbrante por sinal, para não “perturbar a moçada que andava louca por ela”. O Brasil foi à Suécia dar o primeiro toque de samba à história do futebol, mas esteve quase para não ir. O apuramento foi um sufoco. Em Abril de 1957, no Maracana, a canarinha empatada com o Peru. A igualdade não chegava. Falta perto da área. Didi cobrou. A bola subiu, passou a barreira, parecia ir para fora mas, de súbito, a magia da curva, o efeito perverso e a bola nas redes. Nascia a célebre folha seca. “O meu pé estava inchado e doía quando eu chutava. Então comecei a chutar diferente para não doer. E aperfeiçoei tão bem o jeito que os goleiros já ficavam desanimados quando eu partia para bater uma falta”. Quando chegaram à Suécia, o craque era obviamente Didi, o príncipe etíope. Aos 14 anos deram-lhe um pontapé no joelho, a ferida infectou, andou meses numa cadeira de rodas, os médicos a ponderar a amputação da perna. “Eu não tenho de correr, quem tem de correr é a bola”. E ele consegui pôr a bola a correr, a voar como uma folha mágica. Mas o Brasil não era só Didi. Tinha Zagallo, Djalma Santos, Nílton Santos, Garrincha e um tal de Edson Arantes do Nacimento.

A CBF encomendara um relatório secreto a uma equipa de psicólogos, e uma das conclusões foi que “os negros eram mais temperamentais que os brancos” e isso “poderia prejudicar o desempenho no campeonato do Mundo”. Negros titulares apenas 2, Dida e Didi, porque os seus suplentes também eram negros, Pelé e Moacir. No segundo jogo do Brasil, empate sem golos contra a Inglaterra, a primeira vez que um jogo da copa terminou sem golos. O Brasil precisava bater a URSS para seguir em frente. Pressionado pelos jogadores mais influentes, Nílton e Didi, Feola foi quase obrigado a dar a titularidade a dois meninos, Pelé e Garrincha. Mazola foi um dos sacrificados. Contra a Inglaterra, Mazola sofreu ataque de nervos, desatou a chorar, a espernear, só parou a cena quando Bellini, o capitão, se chegou a ele e lhe deu uma bofetada!

Contra os soviéticos explodiu Garrincha. Nílton Santos não esquece essa partida. “Eles começaram marcando homem a homem. Tsarev contra Mané. De repente passaram a amontoar vários jogadores naquele lado esquerdo do campo. Era hilariante o desmanche que Mané fazia por ali”. Juntou Didi. “Eu fazia o lançamento e tinha vontade de rir. O Mané ia passando e deixando os russos de bunda no chão. Em fila, disciplinadamente”. Tsarev, o azarado defesa soviético, viveu o pior dia da carreira. “Garrincha enganou-nos o tempo todo com o seu futebol de mentira. Naquele dia estava tão envergonhado que considerei a hipótese de não voltar a Moscovo”.

Nos quartos de final, o País de Gales. Foi a vez de Pelé brilhar. Voou para a história com um chapéu soberbo. E depois, a caminho do paraíso, mais duas exibições monstruosas, primeiro a França, depois a Suécia. E a Taça era finalmente brasileira… Bellini recebeu o troféu do rei Gustavo e ergueu-o aos céus. A partir daqui, todos os capitães fariam o mesmo. “Foi um gesto instintivo, não consigo explicar”. No dia seguinte, o Daily Express escrevia: “Esta final mostrou que o futebol brasileiro é o mais próximo da perfeição que 11 homens podem alcançar”.

A figura do Mundial
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Foi a copa de Pelé. Inevitavelmente. Foi o nascer do Rei. Nos quartos de final, ante o País de Gales, o início da coroação, um golo de antologia numa magra vitória por 1-0. Contra a França, 3 golos em 45 minutos. Na final, com a equipa da casa, mais 2 golos. Ainda hoje é o mais jovem campeão do Mundo de sempre. Curiosidade. Pelé jogou na copa com o número 10 por acaso. Os dirigentes da CBF esqueceram-se de enviar para a FIFA a listagem de números. O comité organizador decidiu atribuir os números de forma arbitrária. A Pelé coube o 10, e esse seria para sempre o número do mago.

Outras figuras
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Mané Garrincha » Foi o espanto geral entre jornalistas e adeptos. Um jornalista sueco descreveu assim o jovem prodígio. “Garrincha possui as pernas mais exóticas do Mundo, elas produzem o futebol mais desconcertante que vimos. Nunca um jogador conseguira driblar quatro russos num espaço pouco maior que um metro e deixá-los todos sentados”. As pernas tortas eram a imagem de marca. Nos pés, magia que nunca mais acabava. As pernas curvadas para a esquerda foram resultado da poliomielite enquanto criança. Segundo os médicos, nunca mais poderia correr. Foi treinar ao Botafogo. Parecia um aleijadinho. Pela frente apanhou Nílton Santos, o melhor lateral do Mundo. No primeiro lance, fez-lhe um túnel. Nílton correu para o treinador. “Contrata já esse moleque. Imagina ele noutra equipa. Nunca mais ia dormir direito”. Ganhou fama no Brasil como o “anjo das pernas tortas” ou “a alegria do povo”. Sucessivas lesões num joelho acabaram-lhe com a carreira. Hoje Garrincha não é um mito como Pelé porque não teve um final feliz. Afundou-se no álcool, definhou, morreu na miséria, com cirrose hepática, em 1983. E o Brasil chorou a partida de um dos melhores jogadores de sempre… Armando Nogueira, jornalista brasileiro, assinou o mais belo retrato de Mané. “Para Garrincha, o pequeno espaço de um guardanapo era um enorme latifúndio”.

Just Fontaine » Treze páginas imortais numa bela fábula. Treze golos na prova, o título de melhor marcador. Nunca mais o melhor marcador o foi com tantos golos. Talvez nunca mais venha a ser. Marroquino de Marraquexe, foi a figura da França na prova. Ele que era suplente e apenas entrou no onze por lesão de um colega. Só contra a Alemanha, no apuramento para o terceiro lugar, 4 golos. Dois anos depois, partiu uma perna. Regressou vários meses depois. Escassos minutos, nova fractura grave… encerrou a carreira, virou Presidente do Sindicato de Jogadores.

Curiosidades da prova
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Argentina » A selecção celeste chegou ao Mundial como grande favorita, com uma equipa fabulosa. No ano anterior vencera a Copa América, e por isso aterrou na Suécia com um objectivo, ser campeã do Mundo. Não passou da primeira fase. Aliás, a despedida foi humilhante, 6 golos sofridos ante a Checoslováquia. No regresso a casa, os argentinos foram apedrejados no aeroporto de Buenos Aires. A polícia teve de escoltar cada um dos jogadores a casa.
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Golo » O escocês Robert Collins apontou o golo 500 em fases finais do Mundial, numa derrota por 3-2 ante o Paraguai. Foi a primeira e única vez que todos os países do Reino Unido estiveram juntos na prova.
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URSS » O melhor jogador soviético era Streitsov, o torpedo de Moscovo. Não se deslocou à Suécia porque estava preso, a ser julgado por tentativa de violação.
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Zagallo » A sorte sempre acompanhou a Mário Zagallo. O titular da selecção era Pepe, que vários anos depois treinou o Belenenses, mas lesionou-se num amigável e falhou o Mundial. Canhoteiro também se lesionou num treino. Ficou Zagallo como única alternativa. Aproveitou e brilhou…
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Estatísticas da prova
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Número de jogos 35
Número de golos marcados 126
Número de equipas participantes 16
Média golos por jogo 3,60
Espectadores 868,000 (24,800 por jogo)
Melhor marcador Just Fontaine (França) 13 golos

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Escrito por Bruno 10:04

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