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História dos Mundiais Itália 1934 |
Quinta-feira, Maio 25, 2006
Foi o campeonato da propaganda de Mussolini. Como o haveriam de ser os Jogos de Berlim para Hitler. Para criar uma super equipa, o ditador italiano até alterou as leis, permitindo que todos os futebolistas de ascendência italiana, por mais remota que fosse, adquirissem através de simples petição nova nacionalidade. Ficaram conhecidos como os oriundi. Na selecção de Vittorio Pozzo, jornalista desportivo convertido em treinador, havia 5 sul-americanos, 4 argentinos e um brasileiro, Filó, que pode assim considerar-se o primeiro campeão do Mundo a falar português. O Uruguai recusou-se a defender o título conquistado 4 anos antes, Mussolini foi a desculpa. A cerimónia de abertura ficou marcada pelo mar de camisas negras em tributo ao fascismo de Mussolini, que entrou na tribuna de honra berrando o slogan fascista, Forza Itália. Ao toque dos hinos, até os Americanos, adversários da Itália no jogo de abertura, fizeram a saudação fascista! Para completar a festa, vitória italiana por 7-1, 3 golos de Schiavo (viria a ser o melhor marcador da prova).


A figura do Mundial
Giuseppe Meazza foi a alma da Itália. Aos 17 anos já era titular do Inter, como ponta de lança. Com Vittorio Pozzo, recuou para o meio campo, era preciso espaço para Schiavo. E foi como armador de jogo que il peppino teceu o seu destino. Tentou sempre fugir à imagem de rapaz-propaganda de Mussolini. O golo da vitória na batalha contra a Espanha foi seu. Reza a história que o baixinho (1,67 metros) marcou com a mão. Elegância, sentido de posicionamento, faro de golo… Meazza tinha tudo. Depois da guerra deixou o Inter e rumou ao rival Milão. Não estranha, portanto, que o estádio dos dois clubes se chame Giuseppe Meazza. Ainda voltou ao Inter, mas como treinador, em 1947.

Matthias Sindelar» Era a estrela da Áustria, autêntica máquina de futebol da década de 30, conhecida como wunderteam. A selecção austríaca ficou-se pelo quarto lugar, batida pela Alemanha, mas Sindelar deixou o seu perfume nas barbas de Mussolini. Em 1938, recusou-se a jogar pela Alemanha, foi o único austríaco a fazê-lo. Acusado por um colega seu de ser Judeu, suicidou-se em 1939, quando se apercebeu que Hitler marchava fulgurante rumo a Viena. Afinal nem Judeu era… Teve direito a um funeral como nenhum desportista tivera antes. Ou teria depois…


Jornalista que se tornou bicampeão do Mundo. Vittorio Pozzo foi o primeiro treinador a ganhar dois mundiais consecutivos (34 e 38). Gostava de retratar-se assim. “Gentil mas com mão forte. Se permitir que os rapazes cometam erros, perco a minha autoridade. E perder a autoridade nesta função é perder a vida”. Cosmopolita, poliglota, deixou o jornalismo desafiado pelo próprio Mussolini. Excelente psicólogo, obrigava os jogadores que não gostavam uns dos outros a partilhar o quarto. Foi fundador e jogador do Torino. Faleceu em 1968, com 72 anos.

Capitão guarda-redes» Combi ergueu a Taça de Campeão do Mundo na qualidade de capitão de equipa. Apenas em 1982, um guarda-redes capitão voltaria a erguer o troféu, o lendário Dino Zoff.
Golos» Tal como no Uruguai, marcaram-se 70 golos.
Final» O derradeiro jogo da prova disputou-se em Roma, no estádio do Partido Nacional Fascista, perante mais de 73 mil pessoas.
Lenço e óculos» O italiano Luigi Bertolini era considerado um dos melhores cabeceadores do mundo. Jogou toda a prova com um lenço na cabeça, para evitar que as costuras da bola causassem lesões na testa. O suíço Leopold Kielholz precisou de apenas 2 jogos para marcar 3 golos, mas ficou na história por jogar sempre de óculos.
Uruguai» Os campeões em título recusaram-se a defender o troféu. Tudo devido ao fascismo de Mussolini e como forma de represália por grande parte das equipas europeias ter boicotado o Mundial de 1930. Mas a verdade era outra, os campeões mundiais estavam velhos e cansados…
Egipto» Pela primeira vez uma selecção africana participou no Mundial. Abdel Fawzi foi o primeiro africano a marcar num Campeonato do Mundo, na derrota por 4-2 ante a Hungria.
Inglaterra» A pátria do futebol continuava fora dos Mundiais, preocupada apenas com o seu campeonato, cada vez mais profissional.
Estatísticas da prova
Número de jogos 17
Número de golos marcados 70
Países participantes 16
Total de espectadores 408.602
Melhores marcadores Schiavo (Itália), Conen (Alemanha) e Nejedly (Checoslováquia), todos com 4 golos
Etiquetas: História dos Mundiais
Escrito por Bruno 12:12



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