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História dos Mundiais
França 1938

Sexta-feira, Maio 26, 2006

Doze de Março de 1938. O exército alemão invadia a Áustria. França e Inglaterra condenaram a invasão nazi mas não foram além de protestos diplomáticos. Jules Rimet recusou todas as propostas para que o Mundial de 1938 fosse adiado. A Alemanha surgiu na prova como favorita, super reforçada, uma vez que a FIFA permitiu que alguns austríacos jogassem pelo conjunto bávaro. Disputado em moldes diferentes, o Mundial começava logo com os oitavos de final. Alemanha e Suiça abriram a copa. Empate a 1 golo na primeira partida, segundo jogo e surpresa das surpresas, os favoritos eliminados, 4-2, depois de terem estado a vencer por 2-0. No mesmo dia, a Hungria batia a fraca selecção das Índias Orientais Holandesas por 6-0. Polónia e Brasil proporcionaram um dos melhores jogos de sempre em fases finais. Igualdade a 4 no final do tempo regulamentar. Debaixo de temporal intenso, o árbitro decidiu que não se iria jogar prolongamento, o campo estava impraticável. A sorte da lotaria das grandes penalidades bafejou os brasileiros, 6-5. Da lama emergiu um herói, Leónidas da Silva, autor de quatro golos, assim como o polaco Willmowski. Espanto maior, Cuba afastou a Roménia, 2-1. A Suécia apurou-se directamente para os quartos de final, Hitler não deixou a Áustria participar no certame por já não ser um “país independente mas parte integrante da Alemanha”. França e Itália também seguiram para os últimos 8.

A Suécia despachou Cuba, 8-0, Wetterson, só à sua conta, marcou 4. Mesmo jogando em casa, a França não conseguiu superar o poderio dos campeões em título, Itália, baqueando, 3-1. Dramático o duelo entre brasileiros e checos. Foi jogo de faca na liga, dois eslavos tiveram de deixar o campo com fracturas graves, dois brasileiros expulsos e o guardião Plánicka o herói. Partiu um braço, manteve-se na baliza, só sofreu um golo de penalty de Leónidas. O empate a uma bola obrigou a segundo jogo. Já sem a cortina de ferro Plánicka na baliza, o Brasil venceu por 2-1 e seguiu para as meias-finais. A Hungria bateu o carrasco dos alemães, Suiça, por 2-0, e também estava nas 4 melhores equipas.

Meias-finais, Brasil-Itália. Ademar Pimenta, treinador brasileiro decidiu poupar Leónidas, meio tocado na batalha com os checos, insinuando que assim estaria mais descansado na final. Não chegou lá, os italianos venceram por 2-1. A Hungria goleou a Suécia, 5-1, apurando-se igualmente para a grande final. Jogo do descontentamento, o Brasil, já com Leónidas, bateu a Suécia, 4-2, e foi terceiro. Ademar Pimenta não escondia o seu desconsolo. “Na minha opinião o futuro é assim: o Brasil só deve jogar na América, não faz sentido viajar 10 mil quilómetros só para termos aborrecimentos”.

A grande final foi no Estádio de Colombes. Nas bancadas, 58 mil espectadores, na sua esmagadora maioria a puxar pela Hungria. Razões políticas, obviamente. O fantasma de Mussolini perseguia a azurra, que não era azurra, o ditador exigiu que a Itália equipasse de preto, o azul era passado. O técnico Vittorio Pozzo exigiu aos seus jogadores que entrassem em campo com o braço erguido em saudação fascista – as bancadas explodiram em vaias e apupos. Começo de jogo electrizante. Colaussi adiantou a Itália logo aos 6 minutos, Titkis empatou, Piola voltou a colocar os italianos na frente. Ainda antes do intervalo, Colaussi bisou e fez o 3-1. Na segunda metade, mais um golo de Piola. Sarosi reduziu, o jogo terminou 4-2. A Itália era bicampeã Mundial. Dois meses depois, Hitler ocupou a Checoslováquia. Em 1939, os tanques esventraram a Polónia. A quarta edição do Mundial teve de esperar 12 anos, no Brasil.

A figura do Mundial

Sílvio Piola alinhou 34 vezes pela azzurra, marcando 30 golos. Brilhou na Juventus, 274 golos no campeonato, o terceiro maior goleador da história do futebol italiano, depois de Meazza e Riva. 5 golos na prova, 2 deles na final. Não marcou ante o Brasil nas meias-finais mas cavou o penalty decisivo que Meazza converteu.

Outras figuras

Leónidas»Quando Leónidas faz um golo parece que é sonho, é preciso esfregar os olhos. É a magia negra”. As palavras são do jornalista gaulês Raymond Thourmagem. O Brasil não foi campeão mas Leónidas foi o melhor marcador, mostrou que era o melhor avançado centro do Mundo. Apontou 8 golos. Contra a Polónia marcou descalço. Quis continuar a jogar de pé no chão, o árbitro não deixou. Passou a vida a jurar que não foi ele que inventou o pontapé de bicicleta, foi Petronilho de Brito, ele viu, treinou, imitou… certo é que foi Leónidas o primeiro a mostrar ao Mundo tal golpe de génio, em 1933, no estádio Centenário, em Montevideu. Tinha 19 anos, foi o assombro geral. O Peñarol contratou-o de imediato ao Vasco. Voltou ao Brasil, passou por Botafogo e Flamengo. Mais tarde, São Paulo. Ficou conhecido como diamante negro, homem de borracha, mosquito… No França 98, uma tarja nas bancadas. “Leónidas vive, vive”.

Domingos da Guia» O mestre dos zagueiros. Assim ficou conhecido. Defesa clássico do tempo do 2-3-5. Era uma emoção vê-lo jogar. Apanhava a bola na defesa e saía a jogar, driblando quem lhe aparecesse no caminho. Mário Filho, jornalista brasileiro, considerou-o o Hitchcock do futebol, por “driblar os avançados dentro da área”. Ficou para sempre ligado ao afastamento do Brasil, envolveu-se em cena de pugilato com Piola, com o jogo interrompido, o árbitro marcou grande penalidade e a Itália seguiu para a final.

Curiosidades da prova

Itália» A azzurra não era azurra. Por ordem de Mussolini, as tradicionais camisolas azuis foram trocadas por camisolas negras, da cor do fascismo.

Espectadores» Apesar de a França ter ficado cedo pelo caminho, a prova foi um sucesso. 375 mil espectadores assistiram aos jogos, na final foram mais de 58 mil. Não ficou um único bilhete por vender. Dezoito partidas, 84 golos, um recorde…

Avião» Mundial com novidades. A prova foi disputada em 9 cidades, obrigando a maratona de viagens. Mussolini fretou um avião para os “senhores do mundo”, mordomia que mais ninguém teve.

Médico» Álvaro Lopes Cansado. Jogador e… médico do Brasil. Doutor Álvaro quando fazia de médico, apenas Nariz quando jogava, Nariz, o defesa central…

Espanha» A guerra civil que tudo dizimava deixou nuestros hermanos em casa. A Argentina também não se deslocou a França, tudo porque perdeu para os gauleses a organização da prova.

Presenças exóticas» Cuba e a Indonésia, perdão, Índias Orientais Holandesas, era assim que se chamava então a actual Indonésia, marcaram presença no Mundial. Portugal ficou de fora, perdendo no jogo decisivo com a Roménia. Vendaval de golos falhados, até um penalty desperdiçado e Portugal em casa.

Estatísticas da prova

Número de jogos 18

Número de golos marcados 84

Países participantes 16

Total de espectadores 408.602

Melhores marcadores Leónidas (Brasil) 8 golos; Zsengeller (Hungria) 7; Piola (Itália) 5

Etiquetas:

Escrito por Bruno 12:45

1 Comentário(s):

Anonymous Anónimo disse...

http://www.v-brazil.com/culture/sports/world-cup/1938-France.html

"The quick recovery of Leônidas raised rumours. FIFA says that coach Pimenta declared he was "resting Leonidas for the final". According to this report, Mussolini's assistants would have "convinced" Leônidas to not play that match."

Los assistentes de Mussolini convenceran Leonidas a no jugar???

http://www.wayso.net/soccer_history.htm

Dice aqui que los aficionados al juego entre Italia y Brasil se invadieron la cancha al mal conducto del arbitro.

Es verdad?

7:11 PM  

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