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História dos Mundiais Brasil 1950 |
Segunda-feira, Maio 29, 2006
Hitler suicidara-se no seu bunker. Mussolini fora enforcado na praça pública. As armas cal
aram-se. Mas a Europa vivia ainda os despojos da guerra. A sede da FIFA era agora em Zurique, território neutro durante os “devaneios” de Hitler. Durante os anos da Guerra, a Taça de campeão do Mundo também viveu história curiosa, anos a fio embrulhada em papel de jornal, dentro de uma caixa de sapatos, debaixo da cama de Ottorino Bararssi, braço direito de Jules Rimet. O primeiro congresso pós guerra da FIFA foi em 1946, no Luxemburgo. O Campeonato do Mundo passaria a denominar-se Taça Jules Rimet. A próxima edição do Mundial seria no Brasil, 4 anos depois. De imediato, começaram as manobras para a construção de um estádio de sonho, o mítico Maracana.



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“O silêncio após o nosso golo foi algo de terrível. O estádio estava morto…” - Máspoli, guardião da celeste.
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“Eu chorava mais do que eles, de alegria, mas também de pena por vê-los sofrer assim. Eu chorava por eles, eu chorava…” - Schiaffino, autor do primeiro golo do Uruguai.
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Dez pessoas morreram no estádio de ataque cardíaco. Nos dias seguintes, diversos relatos de suicídios, e zaragatas em bares. Moacir Barbosa não defendera a bola, nem o seu destino, um Inferno para o resto da vida. Ficou eternamente responsável pelo "maracanazo". Faleceu em 2000, passou uma vida a ouvir a lengalenga que “brasileiro não pode confiar em goleiro negro”. Sofreu a humilhação de lhe barrarem a entrada no hotel da selecção em 1994, que estava estágio, para assim não trazer azar. “No Brasil a pena máxima por um homicídio brutal é de 30 anos e eu pago há 44 por um crime que não cometi”.

A figura do Mundial
Juan Schiaffino era a estrela da celeste. Obdulio Varela era o grande capitão, Ghiggia entrou para a história com o golo decisivo, mas era Schiaffino quem fazia a diferença. Avançado centro de toque rápido e precisão mortal. Segundo melhor marcador da prova, com 6 golos. Brilhou igualmente no Mundial da Suiça. Rumou ao Milão. Escassos meses depois, já com dupla nacionalidade, marcava golos com a camisola da Itália. Ficou célebre uma frase sua. “Se o Brasil nos tivesse vencido assim no Estádio do Centenário os brasileiros não teriam saído vivos do Uruguai”.

Outras figuras
Obdulio Varela» Para o escritor Nélson Rodrigues, Varela “não atava as chuteiras com cordões mas com as veias”. Foi dos últimos românticos do futebol espectáculo. Recusou jogar com a camisola do Peñarol “profanada” com publicidade. O Peña entrava em campo com dez jogadores “patrocinados” e Varela com a velha camisola de sempre. Para a história, mais uma frase. “Fiz um país chorar de tristeza mais do que o meu país de alegria. E acho que se pudesse jogar aquela final novamente faria um auto-golo!”.

Zizinho» Mestre Ziza, como ficou conhecido, foi o melhor jogador da prova. E o ídolo de Pelé. Passou agruras pelo seu aspecto franzino. Recusado no clube do coração, o América, acabou no Flamengo. Passou para o Bangu. Primeiro jogo, deu 6… ao Flamengo. Ainda jogou no São Paulo. Armando Nogueira havia de escrever. “Eu lia Zizinho todo o domingo no Maracana”.

Ademir» Melhor marcador da prova, 9 golos em 6 jogos. Várias lesões graves acabaram-lhe com a carreira em 1956, apenas com 31 anos. A revista Placar escrevia na época. “… e havia também os golos, marcados com a cabeça, pé direito, esquerdo, barriga ou qualquer outra parte do corpo”.

Curiosidades da prova
Espectadores» Mais de 60 mil pessoas em média por jogo.
Mais números» O brasileiro Chico marcou o golo número 300 em Campeonatos do Mundo. A receita bruta do Mundial foi de 384 milhões de francos suíços.
Discurso no lixo» Jules Rimet tinha preparado um discurso para a entrega da Taça. “Diria que o troféu era destinado ao país que praticava o futebol mais virtuoso do planeta”. Brian Glanville, jornalista inglês, começou assim a sua crónica do Mundial. “A única Copa que não programou uma final teve afinal a mais emocionante de todas”.
Estados Unidos» A Inglaterra acedeu finalmente a participar num Mundial. Não passaram da primeira fase. Pior que isso, a derrota humilhante para os Estados Unidos, 1-0, com um golo de Larry Gaetjens, originário do Haiti. A equipa americana contava ainda com um defesa belga, um guarda-redes italiano e dois irmãos portugueses, John e Edward Sousa.
Baliza» As traves da baliza “profanada” por Ghiggia na final foram oferecidas a Moacir Barbosa. Serviram como lenha para um churrasco…
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Estatísticas da prova
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Número de jogos 22
Número de golos marcados 88
Número de equipas participantes 13
Média golos por jogo 4
Melhores marcadores Ademir (Brasil) 9 golos; Schiaffino (Uruguai) 6; Basora (Espanha) e Ghiggia (Uruguai) 5
Etiquetas: História dos Mundiais



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